Olá!
Eu sou a Indra Haretrava, mestra de cerimônias e curadora do Love! Se você já nos visitou, provavelmente já me viu fazendo o que amo fazer! Nestes pouco mais de três anos, sigo me entregando através da arte da voz e da palavra e honrando a missão que me foi dada: acompanhar todas as pessoas que vêm à nossa casa.
Não sei se vocês sabem, mas foi o Love que me fez mestra de cerimônias. Nunca tinha feito isso antes na vida! Lembro do dia em que recebi o convite para, além de cuidar da coordenação e da curadoria e de ter sido selecionada para cantar uma música por noite, me entregar à mandala localizada no centro do nosso salão para contar histórias da minha vida. Até aquele momento, eu de fato tinha vivido muitas experiências. Afinal, sou uma errante nata, que adora peregrinar e se perder por caminhos ainda não percorridos. Mas, quanto ao universo do corpo, enquanto uma pessoa que foi criada numa esfera religiosa, eu pouco sabia. Ainda assim, seguia curiosa em relação à vida e às suas infinitas possibilidades.
Sigo acreditando que o corpo é o nosso maior laboratório e que, quando nos abrimos ao mundo físico, intelectual e espiritual, nem o céu é o limite!
Foi então que, com um misto de nervosismo jamais sentido antes e um tesão que precede um encontro que você sempre sonhou e nem sabia, abri a primeira noite cantando um ponto para Maria Padilha, seguido de “Vaca Profana”, numa releitura visceral, sagrada e profana — elementos que dariam o tom da nossa história. A partir de então, sinto que aprendi — e sigo aprendendo — sobre algo extraordinário: a arte do corpo.
Vejo que não apenas a partir da minha própria corporeidade, mas também através da corporeidade de todas as pessoas que se apresentam enquanto artistas, dos nossos colaboradores que fazem a magia da hospitalidade acontecer, dos habitués que se tornam parte da nossa família e dos milhares de visitantes que se permitem estar em nossa presença, algo se transforma. O universo de Eros, ao qual me refiro como aquele lugar em que, quando a gente pisa, é incapaz de esquecer, trata-se, para mim, de um processo de expansão da nossa percepção sobre o que é e, sobretudo, sobre o que pode o corpo.
O mais interessante sobre o Love, ao meu ver, é que, para além de estarmos em uma arquitetura que carrega tanta memória, houve um processo de aprendizado coletivo. Desde o princípio, fizemos um pacto: entregar excelência e sermos, de fato, agentes transformadores em uma sociedade que ainda hoje demoniza o corpo e o censura inescrupulosamente. O que se vê ali, presencialmente, nenhum algoritmo é capaz de banir. E é com esse sentimento e essa missão — a de tornar as relações humanas possíveis de novo — que sigo acreditando que a revolução através desta casa, o nosso corpo, é a única possível. Uma fenda de conhecimento se abriu nesta nova fase. Um ecossistema inteiro segue sendo alimentado e criando conexões incríveis através do que construímos enquanto imagem e presença.
Meu maior hobby, enquanto essa entidade encarnada que tem a grande responsabilidade de costurar as performances através da poesia, do canto e da gargalhada, é me deleitar observando como as pessoas chegam, por vezes, contidas e com aquele aspecto que beira o pavor, e vão se abrindo e se transformando no decorrer da noite. Uma relação de confiança que se estabelece como numa prática de shibari, por exemplo, em que o respeito mútuo, a consensualidade e a certeza da responsabilidade com aquilo que está sendo proposto são garantidos.
E, para abrirmos os caminhos desta nova era que se inicia, o rebento do nosso blog, prometo vasculhar a minha memória para compartilhar momentos que fizeram com que a nossa casa se tornasse este templo. Um convite também para que você se permita acompanhar o que temos construído aqui.
Estamos no Ato III, um momento em que invocamos o movimento e a liberdade, com direito à leitura de tarô, com os arquétipos materializados no espaço pelos nossos artistas, música, performances, interações, playground e corpo — muito corpo — em suas mais diversas possibilidades e o melhor, tudo isso acompanhado de boa comida e boa bebida (minha parte predileta)!
Em breve, estarei de volta para abrir outras fendas dessa memória e contar mais sobre o que temos vivido, criado e provocado por aqui. Até lá, nos vemos no Love!
Laroyê!


